segunda-feira, 17 de dezembro de 2012 0 comentários

A Democracia e a PUC


Nós, estudantes da PUC-SP, sempre lutamos por uma democracia absoluta, conquistamos, após muitos esforços, o direito de voto, através de uma lista tríplice, para a escolha de nosso reitor, porém o veredito final é de responsabilidade do cardeal da época. O diferencial nesse episódio, se dá pelo fato de pertencermos a uma instituição privada, o que mostra que não foi uma conquista fácil e nem rápida.
Como podemos notar, o nome da nossa universidade se inicia com: ‘Pontifícia’, mas o que significa exatamente ser uma pontifícia ? O principal significado desse, aparentemente, simples nome revela uma submissão à chamada Santa Fé, Igreja Católica.  Particularmente, nossa PUC-SP é uma instituição mantida pela Fundação São Paulo, a chamada FUNDASP.
Ano de 2012, ano de votação. A lista tríplice seguia como todos os anos de eleição: três candidatos, votos de funcionários, alunos e professores. Após a votação, o vencedor das eleições foi o professor reeleito Dirceu de Mello. Porém, algo diferente, nunca visto antes na história da universidade, aconteceu: No momento da nomeação, o cardeal-arcebispo Dom Odilo Scherer cedeu ao cargo de reitor a professora Anna Cintra,ultima colocada nas votações, e não Dirceu de Mello como era o esperado. A partir disso, houve uma divergência muito acentuada em nossa universidade: Os que estavam apoiando a candidatura de Anna Cintra, sendo a favor à atitude de Dom Odilo, e os que estavam contra à atitude do Cardeal, sendo a favor da nomeação do reitor que realmente foi o vencedor das eleições, no caso Dirceu do Mello. E também tinha um outro grupo divergente, nomeado como ‘ Lutadores da Democracia’, lutam por um fim desse autoritarismo católico, buscando um reconhecimento oficial do resultado das urnas, fato que antigos estudantes da PUC-SP lutaram para conquistar.
O acontecimento da greve na PUC,para alguns podem não representar nada,porém ao analisar meticulosamente a desenvoltura de todo esse processo,podemos estabelecer comparações políticas com uma obra importantíssima O Príncipe,do notável autor Maquiavel
Para compreendemos essa comparação embasaremos a partir do fato que deu origem a greve.O grão-chanceler, D.Odilo Scherer, nomeou, antidemocraticamente, Ana Cintra para reitora, pois este repudiou as eleições que haviam sido feitas, do qual Dirceu ganhou de forma honesta- maior número de votos arrecadados-. Como toda causa tem sua consequência posterior, tanto alunos quanto professores se mobilizaram em prol de algo maior que, no caso, era o jus naturalis de Dirceu subir ao poder e não Ana Cintra, previsto pela própria democracia e cuja instituição em questão fora uma das primeiras a adotar este sistema de eleição de reitores viabilizada pelos alunos. D.Odilo tentou utilizar de seu status, bem como de seu prestígio, para eleger Ana Cintra- analogo ao direito do mais forte que, ao usar a coerção (força) representa, apenas, um ato de necessidade e não de vontade expressa por uma coletividade- da qual esta não obteve êxito em adentrar a faculdade, utilizando-se da força e sobrepujando os preceitos democráticos aderidos anteriormente pela instituição.
Ana Cintra está longe de se tornar um legítimo príncipe ao se dispor desta figura de odiada ao invés de temida, conseguindo, unicamente, um profundo desprezo por parte dos estudantes e não sendo legitimada pelos mesmos como reitora da universidade; o ódio apenas faz com que a figura do soberano, na maioria das vezes, seja substituída por outro através de votos (mecanismo da democracia), diferentemente do temor que compele os indivíduos de uma determinada localidade a acatar os mandamentos, as leis e obedecê-los fielmente. Porém, não obterá êxito ao dispor somente da razão ou da força (o que demonstra uma certa inabilidade por parte do soberano pelo fato de agir em extremos e não procurando o meio termo), é preciso saber conciliar esta (faculdade presente em Ana Cintra) e aquela (seu desfalque)¹, mesmo não possuindo tais virtudes², o importante é que o soberano tenha uma maleabilidade- “transmudabilidade”- em adotar uma determinada figura, mas também sua antítese, quando seu poder é ameaçado- faculdade não presente em Ana Cintra, pois persistiu ao valer-se somente da força e não do meio termo-. 
Esta greve pode ser encarada como a fortuna³ (impecílio/impasse para o governante que deve ser dominada), da qual estas circunstâncias regulam a moral (sinônimo de comportamento, até mesmo de índole) tanto dos governantes quanto dos governados. Todavia, por ela cituar-se no âmbito acadêmico - pressupõem-se um lugar do qual há pessoas de escolaridade e nível intelectual alto- demanda do soberano (ou daquele que deseja subir ao poder) agir circunspectamente (cautela), “se um [homem, príncipe...] pautar as suas ações pela prudência, e pela paciência, e se os tempos e as circunstâncias concorrerem de um modo compatível com a sua conduta, ele será venturoso. Se os tempos e as circunstâncias, porém, mudarem, ele cairá em ruína não alterando o seu comportamento. Conquistarão a felicidade se desta fortuna seus atos convergirem e desditosos quando dela divergirem”. Ana Cintra valeu-se, justamente, do contrário deste tempo, que demandava uma postura cautelosa, racional, para ter alguma chance de subir ao poder. Divergiu, imensamente, das necessidades dos alunos da instituição, na esperança de que um único indivíduo pudesse empossá-la, sem se preocupar em obter força e sustentação na maioria, do qual fora seu maior erro e motivo de indignação por grande parte do corpo docente.
O sistema democrático não é e nunca foi uma instituição de origem divina. A ideia de que os próprios homens sabem o que é melhor para si é uma filosofia "mundana" (inventada neste mundo, neste planeta e não se baseia na orientação de Deus)
Foi possível observar através das comparações feitas que um fato atual,como a greve da PUC,pode conter características que incitam a analise de conceitos e idéias já defendidos e debatidos no passado por autores antigos,como por exemplo Nicolau Maquiavel,século XVI,que fora o escolhido ,até aqui, na observação de determinadas semelhanças atuais com relação a sua obra  .Porém além desse filosofo político é importante ressaltar outras coisas notáveis desse movimento grevista,tal como,a democracia, que por sua vez, é um conceito de difícil definição, fundamentado na noção de uma comunidade política na qual todas as pessoas possuem o direito de participar dos processos políticos e de debater ou decidir políticas igualmente e, na acepção moderna, na qual certos direitos são universalizados a partir dos princípios de liberdade de expressão e dignidade humana. 
Ao longo da história podemos notar o grande número de vezes que a Igreja Católica interferiu em assuntos políticos que não cabem a Igreja. Mostrando assim o seu interesse por trás de certas questões.
A maior parte das vezes que vemos a Igreja fazendo parte de decisões políticas não ouvimos falar em Democracia, principalmente quando o representante religioso é autoritário, como presenciamos os recentes acontecimentos na Puc.
O que acontece é que o Grão-chanceler de fato possui poder para tomar determinadas medidas, mas tomou-as de forma autoritária e ditatorial desprezando a democracia conquistada pela comunidade Puquiana. Isso reflete anos da história da Igreja católica, seja sua relação com operário, sua repressão aos hereges – a inquisição -, e suas alianças com os príncipes de Maquiavel.
Não é possível que haja um Estado Democrático sem liberdade individual, segundo Toqueville; liberdade no sentido de livre arbítrio, de escolher o seu poder moral sobre o próprio destino, o seu dever e o direito de conduzir-se a si mesmo, sem deixar ninguém, muito menos ao Estado, encarregar-se desse bem único. O que nos leva a por em dúvida se na Puc existe ou já existiu mesmo uma democracia.
Toqueville diria que a vontade da maioria é o que constitui um Estado democrático. Mas como é possível evitar que este Estado vire uma Ditadura? Politizando a sociedade civil, que esta reúna-se constantemente em associações participando das decisões que dizem respeito a vontade coletiva, não negligenciando nunca a liberdade.



¹Maquiavel personifica estas duas figuras na forma do centauro, sendo este metade homem e metade animal, representando, respectivamente, a razão e a força. 
²”A um príncipe, portanto, não é necessário que de fato possua todas as sobreditas qualidades; é necessário, porém, e muito, que ele pareça possuí-las” (Maquiavel, O Príncipe, cap XVIII, pp. 87) ou seja, valer-se de simulador e dissimulador de acordo com as circunstâncias- fortuna- (manter-se no poder utilizando o bem, mas, se necessário, dispor do mal).
          ³Materializada pela figura da mulher, da qual o homem deve impor sua dominação “a fortuna é mulher, e, para mantê-la submissa, é preciso batê-la e maltratá-la” (Maquiavel, O Príncipe, cap XXV, pp. 124)



quinta-feira, 22 de novembro de 2012 0 comentários

Reflexão relacionando a divisão de poderes e "liberdade"dos modernos



A liberdade dos antigos é pautada pela coletividade, já a liberdade defendida pelos modernos tem a ver com a individualidade. Essa liberdade individual é voltada para o poder de compra (ter > ser).
Há portanto a divisão de classes. O mesmo antagonismo que se passava na antiguidade quando se tratava do Cidadão e do escravo. No mundo moderno podemos dividir essas classes em classes políticas, composta pelos privilegiados; e as classes operárias, privadas do capital, da terra e da educação. Aqueles que ficam com o trabalho do pensamento (a classe política), o fazem não por serem mais inteligentes, mas por terem nascido numa classe privilegiada que desfruta de todos os benefícios. E aqueles que se encarregam do trabalho físico, forçados pela fome na maioria dos casos. A estes não resta tempo para a vida política, sendo então delegada a um representante, assim temos o político profissional.Isso devido ao projeto individual dos trabalhadores, a vontade de possuir algo que não possui.
        Sendo assim, notamos que ainda há uma civilização da minoria fundamentada no trabalho “escravo” e na falta de instrução da maioria.Essa cultura de massas encontra-se entrelaçada aos bens. Em consequência a sociedade moderna que surge, também uma sociedade de massas, tem a ideia do perecível implantada nela, assim correndo o risco do desaparecimento como todos os outros produtos dessa nova sociedade.
       Os federalistas propõe um novo Estado para fortalecer a liberdade, propõem uma racionalização interna ao Estado.
A concepção científica de Montesquieu, se deve em conhecer e identificar os aspectos sensíveis do homem, valorizando um conhecimento sensível, que não se prende a uma forma idealista do mundo. 
Em a Democracia na América, ao tratar da fundação das colônias inglesas no continente americano, Tocqueville pôde mostrar como e por que razões o Estado e o poder político fora criado pelos anglo-americanos que ali se instalaram a partir de inícios do século XVII. Assim, poder-se-ia afirmar que, embora Tocqueville não trate da origem e fundamentos do Estado ou do poder político em geral – como o fizeram, por exemplo, Platão, Aristóteles, Hobbes e Rousseau –, ele procura mostrar como e por que, especificamente entre os anglo-americanos, a constituição do Estado se fez necessária. Como diversos estudiosos que o antecederam – por exemplo, Hobbes, Montesquieu, Rousseau – Tocqueville avalia que o Estado e o poder político nasceu do pacto realizado entre os homens com o propósito de promover o bem-estar de todos. A diferença entre Tocqueville e seus antecessores reside em que, enquanto estes últimos não situam no tempo e no espaço a realização do pacto social, Tocqueville o vê nascer como um fato geográfico e historicamente situado: na América de inícios do século XVII.
Para Tocqueville, conforme a sua obra Democracia na America, configuram-se dois tipos idéias de sociedades: a democrática e a aristocrática. Todavia, a tendência no Estado Moderno, no ocidente, seria a predominância do Estado democrático.
Em princípio, é válido destacar que para Tocqueville não pode haver um Estado democrático sem liberdade da pessoa humana. Liberdade no sentido de livre arbítrio, de escolher o seu poder moral sobre o próprio destino, o seu dever e o direito de conduzir-se a si mesma, sem deixar a ninguém, muito menos ao Estado, encarregar-se desse bem único que é a liberdade individual do ser humano.
Na visão tocquevilliana é abordado que a vontade da maioria constitui um Estado democrático. Todavia, como é possível evitar que com o tempo essa vontade não se transforme numa ditadura na maioria? Ao discutir essa questão Tocqueville acredita que para que isso não ocorra é preciso politizar a Sociedade Civil que deve se manter constantemente reunida em associações participando das decisões prevalecentes do interesse coletivo e sentindo continuamente o prazer e a importância da liberdade. A sua proposta básica é que haja o controle consciente a fim de que a liberdade não seja gradativamente corroída e, finalmente, destruída.
Sabe-se que nos EUA existe a centralização governamental, porém, a centralização administrativa é ausente. Isto contribui para a  desburocratização do Estado Moderno proporcionando uma fiscalização maior da coisa pública através de accountability freqüentemente realizada pela própria Sociedade civil organizada. Cada cidadão americano é fiscalizado pelo seu próximo e vice-versa. É isto que possibilita o funcionamento mais adequado do Estado democrático de Direito nos EUA.
Depois de Montesquieu, houve mudanças na concepção de ciência no mundo, uma vez que a razão passou a ser pautada na observação, e não mais por uma lei abstrata.
Montesquieu é um defensor da monarquia, porém defende o uso de uma monarquia limitada por leis, e não uma monarquia absoluta, onde a monarquia deve ser regida por instituições, e não apenas pela vontade do rei (essas instituições são fixas, apenas as leis podem mudar), ou seja, o bem publico é mais valorizado que o bem individual.
Portanto os três autores comentados nesse texto defendem alguma forma de liberdade pautada pelo individualismo marcante na modernidade, individualismo este diretamente ligado à divisão de poderes que proporciona uma melhor ou pior condição de vida, além diferentes níveis de individualidade.



quinta-feira, 18 de outubro de 2012 0 comentários

Locke,Rosseau e Hobbes


            Nesse texto faremos uma comparação entre três importantes autores para a Política; Locke, Hobbes e Housseau. Em primeiro lugar falaremos individualmente de cada um e depois mostraremos suas semelhanças e divergências.
John Locke (1632-1704) foi um filósofo Inglês e ideólogo do liberalismo.Segundo esse autor, a origem das ideias está na experiência (representante do empirismo), sendo essas ideias a principal fonte de conhecimento. Para Locke, todo homem já nasce com direito à propriedade e cada individuo pode agir livremente desde que não prejudique a outro, com isso Locke acredita que todos os homens são iguais e possuem os mesmo direitos.
            Na vida política os homens não podem renunciar aos seus direitos naturais, ou renunciaram à natureza humana. O contrato social é responsável por garantir todos os direitos naturais do homem (propriedade) – Todo governo tem a função de preservar a propriedade, mas não pode violá-la.
            Segundo Locke, sempre há a necessidade de uma autoridade no estado de natureza, ou seja, na liberdade e na igualdade. Locke defendia um governo em que os homens, pela sua participação, garantissem seus direitos. Para o filósofo Inglês, o individuo está acima da sociedade : O homem poderia comprar uma propriedade devido sua capacidade de fazer comércio; capacidade essa fruto do esforço e do trabalho pessoal. As oportunidades são iguais para todos. E o trabalho é a origem da propriedade privada.
            Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) foi um pensador contratualista do período Iluminista, porém suas ideias divergiam bastante a despeito desta corrente. Foi responsável por fundar as bases do pensamento radical (tinha a intenção de criar uma nova forma de governo), sendo que este foi de vital importância para o advento da revolução francesa, pois contribuiu para o surgimento de uma nova classe social denominada burguesia, engendrando, na sociedade moderna, novos valores, preceitos de igualdade, fraternidade e solidariedade, ideologias, mobilidade social atingida por intermédio do trabalho (“este dignifica o homem”, mais precisamente, enaltece a importância da atividade produtora de mercadorias), ou seja, qualquer indivíduo pode alcançar um status mais elevado se este se esforçar e realizar suas tarefas com afinco (porém, com um aspecto subjacente de eximir tanto o estado quanto uma entidade divina de qualquer responsabilidade acerca do indivíduo, em outras palavras, este é, exclusivamente, responsável pelo seu sucesso bem como pelo fracasso; manifestação da doutrina filosófica existencialista. No entanto, este aspecto é, demasiadamente, falacioso, por conta de tirar a função das políticas públicas que consistem em amparar o indivíduo quando engajado na sociedade).
             Diferentemente dos pensadores iluministas que privilegiavam a razão cartesiana e a colocavam em um patamar assumindo um caráter “dogmático”, Rousseau tinha uma visão pessimista inerente à mesma, rotulando-a como sendo a origem de todos os males e mazelas da sociedade, por conta dessa razão originar a propriedade privada; que segundo o autor era fonte direta da maldade humana, responsável por engendrar e disseminar a desigualdade pela sociedade civil, bem como legitimar a superioridade de um indivíduo perante o outro.Propugnava a ideia de vontade geral (associada à ideia de senso comum, em outras palavras, a verdadeira fonte de conhecimento se encontra no povo expressa na forma de virtude) que é voltada para o bem geral da sociedade, não é reduzida à escolha da maioria, mas sim ao que beneficia mais a mesma.
             Segundo ele, o homem é um ser que, como qualquer outro, zela pelo direito de sobrevivência e aprimoramento da mesma quando em convívio social com outros homens; - O homem nasce bom (tem a potência intrínseca para a bondade), no entanto, a sociedade o degenera, desperta e fomenta esta maldade igualmente presente em sua natureza humana pela competição e individualismo expresso na forma da hybris. - partilha de saberes concernantes à caça, crenças, costumes, hábitos, troca de indivíduos de forma intertribal, culminando em um aperfeiçoamento (fortalecimento) genético e, por conseguinte, da espécie.
             Todavia, este não se contenta apenas com a manutenção de sua vida, sendo movido, pelo que podemos denominar como “busca incessante de perfectibilidade”, expressa por meio do desenvolvimento da técnica, competição entre indivíduos fomentando o atomismo. Sua degeneração acontece exatamente neste ponto em que o homem civilizado possuía todos os recursos necessários para a manutenção de sua vida, mas, movido pelo anseio de querer mais, acaba por se corromper.
             Thomas Hobbes ( 1588-1639) , o primeiro filosofo moderno que articulou uma teoria contratualista. Em sua principal obra, o Leviatã, os seus ponto de vista sobre a natureza humana e a necessidade de governos e sociedades ficam bem explicitas, através da sua teoria de o Estado de natureza ser representando como o estado da vaidade, da violência e do desejo de glorificação. É a guerra de todos contra todos, propiciando assim o temor da morte violenta que contribui como motivação da criação do Estado que seria o poder abstrato e personificado no soberano para promover a convivência em sociedade, tendo o poder comum sobre os homens.
             Para Hobbes no Estado de Natureza cada um de nós tem direito a tudo,uma vez que todas as coisas são escassas, portanto esse período corresponde a situação pré cívica do convívio humano,em que a liberdade era a lei maior, prevalecendo assim determinadas características como: a igualdade de todos na vulnerabilidade a violência, em face da ausência de autoridade soberana para regular o uso da força, e o egoísmo de cada um na busca de seus fins pessoais,visando a sobrevivência.
O pior mal que o homem pode infligir ao outro na busca de seus fins é a morte. A plena liberdade de todos, só pode dar em um conflito de liberdades, tais conflitos podem ser demonstrados com o principio da violência. Em suma, prevalece a lei do mais forte. Diante disso ocorre a guerra de todos contra todos, nesse Estado de natureza, que apesar de não ser permanente, trata-se de um estado em que a paz é apenas uma situação passageira, tão precária e fraca que pode ser interrompida a qualquer momento. Entretanto os homens tem um desejo de acabar com esse estado de guerra, por isso formam sociedades entrando em um contrato social. Essa sociedade, segundo Hobbes, necessita de uma autoridade à qual todos os membros devem render o suficiente da sua liberdade natural para um poder absoluto e centralizado que possa assegurar a paz interna e a defesa comum. Este soberano seria o Estado, que é uma necessidade e somente ele é capaz de impor a ordem, por instaurar um governo em comum com regras em comum e exercer soberanamente a justiça na sociedade.
             O Leviatã é o monstro legendário, mencionado por Hobbes para ilustrar a figura artificial do Estado. O contrato social, diante da formação da sociedade, é iniciado artificialmente pelos homens, mas com consenso de vontade,e é firmado de forma irreversível entre as pessoas e os soberanos através da força da lei natural que manda a busca pela paz. O Estado representa a forma pela qual se pode garantir pacificamente o convívio humano ante a ameaça de dissolução, de anarquia, de destruição e retorno ao Estado de Natureza belicoso. Contudo é o medo de desagregação, do enfraquecimento e da corrupção completa do Estado, que o Hobbes defende as monarquias, segundo ele, estas estão menos sujeitas a esses problemas do que os outros governos.
             O Estado Civil, segundo Hobbes, seria a garantia dos direito naturais do homem e a prevenção do Estado de guerra através de um poder comum de imposição da ordem e exercício soberano da justiça à sociedade. O pacto da união que funda a sociedade civil é irrevogável, absoluto e indivisível. Os súditos devem honrar o compromisso de manter-se fieis ao pacto proporcionando a justiça, porque antes do pacto não existia lei, ou seja, tudo era permitido, não existindo injustiça. A lei serve apenas de instrumento do soberano para conduzir o Estado.
             Diante de todas as teorias expressas e defendidas por Thomas Hobbes, torna-se evidente que esse pensador firma a doutrina sobre a máxima concentração, unificação e integração do poder na pessoa do soberano, assim os limites do poder do soberano são irrestritos, esbarrando somente na questão do respeito ao Estado de paz instaurado na sociedade, assim o poder de obediência cessa somente quando o soberano põe em risco a vida do súdito. Hobbes quando trata do pacto social, o que determina a criação do Estado, visualiza pela primeira vez um Estado em que haja território definido (territorialidade) e contrato consensual na escolha do governante(eleição).


Portanto;

Locke é conservador, pois só assim acha possível o progresso, acredita que a propriedade privada representa um bem maior e que o individuo vem antes (é mais importante) da sociedade. O autor também acredita que a tradição é importante para a manutenção da liberdade e que a filosofia tem uma tarefa apenas moral. Ou seja, ele defende o homem livre como individuo, e ao mesmo tempo atado por um contrato social que escolheu e que deve, portanto, respeitar.
Já Rousseau é um radical, mas que assim como Locke acredita na igualdade entre os homens, condena a propriedade privada por ser a origem de todos os males da sociedade (não pela sua existência, mas pela forma como é dividida). Diferente de Locke, acredita na superioridade da sociedade perante o indivíduo, acredita que a filosofia serve para libertar os homens das regras e que a educação é importante para o progresso, não a tradição. Além disso, Rousseau questiona o progresso material.
O contrato social para Rousseau possui uma utilidade prática, a do estabelecimento de uma liberdade civil.
Hobbes é um burguês contratualista que vivência o absolutismo. Também defende a ideia de igualdade entre os homens, como os dois autores anteriores. Para Hobbes o Estado é o mais importante para manter a ordem, ele é soberano e absoluto; e sem ele a guerra de todos contra todos imperaria. O contrato social para Hobbes tem a finalidade de conduzir o Estado e impedir que essa guerra de todos contra todos reine. Diferente de Locke que defende a ideia de que os súditos tem o direito de contestar o soberano.
Hobbes nega a propriedade privada como um direito natural, mas acredita que a sociedade venha antes do homem.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012 0 comentários

Lula,o príncipe

   “Há, porém, ainda, duas maneiras de tornar-se príncipe o homem comum [...] São elas: quando por qualquer forma criminosa ou nefanda, se ascende ao principado; e quando, mediante o favor dos seus concidadãos, torna-se alguém príncipe da pátria.” (O Príncipe,Maquiavel, Cap VIII – Dos que se fizeram príncipes a mercê das suas atrocidades) Porém o que nos é relevante nessa discussão é o segundo caso: “o do cidadão privado que, não por meio de crimes ou de outras intoleráveis violências, mas com o favor dos seus concidadãos, ascende ao principado de sua pátria (o qual se pode chamar principado civil, e para chegar a ele é necessário ter-se inteiramente merecimento ou boa sorte, mas antes astúcia afortunada), direi que essa ascensão se faz ou com o favor do povo ou com o dos grandes.” ( O Príncipe, Maquiavel, Cap XIX – Do principado civil).

Ao compararmos o livro de Maquiavel,citado acima, com a política brasileira contemporânea podemos fazer um paralelo com o presidente “mais populista da Terra”, como já foi chamado, o Lula. Podemos colocá-lo na categoria de “principado civil”, pois partindo de uma classe baixa com o apoio do povo tornou-se presidente da República, ascendendo não só com a ajuda da Virtú,característica que permite a capacidade do príncipe entender o que se passa à sua volta, não se deixando enganar pelas aparências e tomando as decisões que melhore convierem: fazer ou desfazer alianças mostra-se clemente ou brutal, manter acordos ou trai-los, mas com a Fortuna também, expressa pela combinação favorável das circunstancias, que graças à sua elevada "virtu", o príncipe tem condições de aproveitar.
Maquiavel afirma que em um principado civil o príncipe tem apoio do povo ou dos poderosos, porém na carreira política de Lula notamos que este teve o apoio de ambos os lados. Lula procurou não irritar os grandes e, ao mesmo tempo, satisfazer o povo e mantê-lo contente; como um príncipe sábio faria. Muitas das medidas que o Lula adotou em seu governo favoreceram a população, como por exemplo: combate à inflação, bolsa família, fome zero, reajuste na previdência social, entre outras. Assim evitou ser odiado e desprezado, não precisando temer as conspirações do povo, passando por este a ser amado. Mas apesar de toda essa benevolência, Maquiavel dirá que é necessário ter espírito capaz de ser o que for necessário para o bom funcionamento do Estado: “...não se afaste do bem, se possível, mas saiba valer-se do mal, se necessário.”.
Maquiavel também afirma que o príncipe deve estar pronto para resistir caso esses tempos de paz cheguem ao fim e sua sorte mude, e resistir também às tentações impostas pelo poder. E apesar de sua gestão possuir uma estabilidade econômica, Lula, assim como outros membros do partido, foi acusado de desviar verbas públicas. A grande crise em seu governo, que foi a maior do país, foi o escândalo do “mensalão”. O desvio do dinheiro serviu para a compra de apoio político no Congresso durante o Governo Lula, segundo inquérito policial. Mas por mais contraditório que possa ser, o Presidente foi reeleito. “Não há dúvida, os príncipes se engrandecem quando superam as dificuldades e as oposições com as quais se enfrentam.” (O Príncipe, Maquiavel, Cap XIX – Subtraindo-se ao desprezo e ao ódio).
Conclui-se,segundo Maquiavel "Procure,pois,um príncipe,vencer e conservar o Estado.Os meios que empregar serão sempre julgados honrosos e louvados por todos,porque o vulgo é levado pelas aparências e pelos resultados dos fatos consumados,e o mundo é constituído pelo vulgo,e não haverá lugar para minoria se a maioria tem onde se apoiar"( O Príncipe,Maquiavel,Cap XVIII-De que forma os príncipes devem guardar a fé da palavra dada),portanto os meios usados pelo ex-presidente Lula os justificam fins obtidos e seu prestigio pela maioria da população.

 
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